O que é o Autismo?
E a Perturbação de Espectro de Autismo?


A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e o Autismo são dois termos genéricos que fazem parte de um grupo de complexas Perturbações do Neurodesenvolvimento. Esta perturbação (PEA) é caracterizada por dificuldades de interacção social, comunicação verbal e não-verbal e comportamentos de repetição. As manifestações desta perturbação (PEA) tendem a variar dependendo do seu grau de gravidade, do nível de desenvolvimento da criança e da idade da mesma, daí o termo "espectro".


Quais as características essenciais do Autismo?


  • Falta de reciprocidade social ou emocional;
  • Atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral (não acompanhada de tentativas de compensar através de gestos ou mimica);
  • Quando existe linguagem, existe uma acentuada incapacidade para iniciar ou manter uma conversação com os outros;
  • Défice no uso de comportamentos não verbais, como o contacto ocular, expressões faciais, posturas corporais e gestos;
  • Défice no desenvolvimento de relações com os seus pares, adequadas ao seu nível de desenvolvimento;
  • Pouca tendência espontânea para partilhar com outros prazeres, interesses ou objectos;
  • Défice no jogo simbólico e na imitação;
  • Maneirismos motores estereotipados e repetitivos (sacudir ou rodar as mãos, ou outros movimentos complexos);
  • Inflexibilidade a alterações na rotina, insistem nas repetições e reagem negativamente perante pequenas alterações;
  • Interesses altamente fixos e restritos de uma forma exagerada, quer na intensidade quer no seu objetivo (ex. podem alinhar vezes sem conta um numero exato de objetos, sempre da mesma maneira);
  • Hiper ou Hipoactividade a estímulos externos, por exemplo, reação adversa a sons ou texturas específicas, fascínio por luzes ou movimentos, podem tocar ou cheirar de forma exagerada determinados objetos e ter uma aparente indiferença à dor ou à temperatura.

Quais são os sinais de alerta do Autismo?


Os sintomas anteriormente descritos estão presentes desde muito cedo na criança e são limitativos do seu normal desenvolvimento. Normalmente os sintomas são detectados por volta dos 2-3 anos de idade, mas podem ser reconhecidos entre os 8-12 meses, se o atraso no desenvolvimento for grave. O atraso no desenvolvimento de linguagem por volta dos 2 anos de idade é, normalmente, um dos maiores sinais de alerta dos pais. No entanto, poderão existir sinais mais precoces, anteriores ao desenvolvimento da linguagem, como por exemplo:

  • A ausência de contacto ocular;
  • Ausência de resposta ao nome;
  • Ausência de reconhecimento das vozes da mãe e do pai;
  • Diminuição ou ausência de gestos, como apontar, dizer adeus ou mostrar (12 meses);
  • Atraso na aquisição do balbucio (9 meses);
  • Ausência de resposta a expressões dos pais;
  • Ausência de expressões de alegria ou prazer (a partir dos 6 meses);
  • Ausência das primeiras palavras (16 meses);
  • Ausência de atenção partilhada;
  • Falta de necessidade de estar perto de outros;
  • Isolamento;
  • Falta de intenção comunicativa.

Qual é a evolução do Autismo?


A menor gravidade dos sintomas corresponderá a um melhor prognóstico. Os sintomas são mais marcantes durante a infância e a adolescência. Poderá haver crianças que melhorem as suas dificuldades de interacção social e de comunicação durante a adolescência, outras que por seu lado, pioram. Apenas uma pequena parte dos indivíduos com PEA (Perturbação do Espectro do Autismo) vivem e trabalham de forma independente na idade adulta. Normalmente, os indivíduos que conseguem encontrar um trabalho que se adapte às suas características especiais, são aqueles que têm linguagem funcional e fortes habilidades intelectuais. Na generalidade, os indivíduos adultos com PEA poderão sofrer de vulnerabilidades a nível social e terão dificuldades em atingir uma independência na idade adulta. As hipóteses de virem a existir menos constrangimentos e vulnerabilidades sociais na idade adulta dependem, fortemente, de ser realizado um diagnóstico precoce de PEA e da sua sucessiva intervenção. Podemos considerar como factores de bom prognóstico:

  • Linguagem funcional antes dos 5 anos de idade;
  • Boa competência intelectual;
  • Intervenção especializada precoce;
  • Formas menos graves de autismo;
  • Forte apoio parental e educativo.

O Autismo é comum?


Em Portugal, não existem estatísticas sobre a verdadeira realidade do Autismo. Estima-se que poderá haver em Portugal cerca de 65.000 pessoas com PEA (Perturbação do Espectro do Autismo). Muitas pessoas ainda não foram diagnosticadas nem receberam um tratamento adequado. Nos EUA, as PEA são a Perturbação do Neurodesenvolvimento que teve mais crescimento nos últimos anos, 1 em cada 68 crianças é diagnosticada com esta patologia. O crescimento da taxa anual média é de 10% a 17%. Os rapazes têm mais probabilidade de desenvolverem PEA relativamente às raparigas. A prevalência é de 1 em cada 42 rapazes desenvolvem PEA. De facto, tem existido um aumento significativo da prevalência desta Perturbação. Fica por esclarecer, se este aumento do número de casos de PEA se deve a um aumento dos critérios de diagnóstico, que são muito abrangentes, ou se estará a PEA a crescer realmente em frequência e a ganhar contornos de uma verdadeira epidemia a nível mundial.


Quais são as causas do Autismo?


Até há pouco tempo atrás, nada se sabia sobre as causas desta Perturbação no Neurodesenvolvimento infantil. Neste momento, a ciência começa a dar as suas primeiras respostas. Uma das primeiras descobertas diz respeito ao facto, de não existir só uma causa para o Autismo, existem várias situações potenciadoras de determinar o aparecimento desta Perturbação.
A primeira causa para o Autismo é referida como sendo genética. Os cientistas identificaram um número de raras mutações genéticas associadas ao Autismo.
Na maioria dos casos, o que se tem verificado, é que o Autismo tem como causa uma combinação de factores. Os mais determinantes são, a combinação entre as alterações genéticas e os factores ambientais que influenciam o desenvolvimento precoce. Perante uma predisposição genética para o Autismo, poderão surgir variadas circunstâncias ambientais potenciadoras do aumento do risco de desenvolver esta patologia. Alguns destes factores surgem antes e depois do nascimento:

  • Idade avançada dos pais no momento da concepção;
  • Peso baixo à nascença;
  • A exposição fetal a medicação que possa causar anomalias;
  • Dificuldades no parto, especialmente as situações em que o bebé tem períodos de carência de oxigénio no cérebro;
  • As mães que durante a gravidez estão expostas a elevados níveis de poluição ou a pesticidas.

É importante ter a noção, que os factores acima descritos por si só não causam Autismo, mas sim a sua combinação com factores genéticos. Ainda pouco se sabe sobre as causas do Autismo, existem várias teorias, umas com mais fundamento que outras, mas a investigação sobre esta Perturbação está a aumentar e consequentemente as suas causas mais exactas poderão ser descobertas nas próximas décadas.